França cria rede para acolher brasileiros que queiram fugir de Bolsonaro

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Segundo o jornal português EXPRESSO, o Instituto de Estudos Superiores da América Latina lançou na sexta-feira, em Paris, uma rede internacional de ajuda a estudantes, artistas ou intelectuais que se sintam ameaçados nas suas profissões ou já tenham sido alvo de algum tipo de violência ou discriminação no Brasil de Jair Bolsonaro. Solidarité France Brésil(Solidariedade França Brasil, em português) é o nome da iniciativa, lançada com a presença do filósofo e colunista do jornal Folha de S. Paulo Vladimir Safatle, do cientista político Luiz Felipe Alencastro e de duas historiadoras francesas, Maud Chirio e Anaïs Fléchet, entre outros.

Os lugares para esta iniciativa esgotam rapidamente e havia muita gente sentada no chão do anfiteatro do Instituto, escreve a rádio RFI. Entre o público estiveram investigadores, professores, ativistas dos direitos dos negros, representantes de movimentos feministas e também membros da comunidade LGBT.

Quase todos podem teoricamente vir a ser alvo de remoção das bolsas de estudo por “critérios ideológicos”, segundo planos que já estão a ser discutidos pelo Ministério da Educação brasileiro. Bastante querido entre os presentes, Sfatle lembrou do revisionismo do governo Bolsonaro, que “neste momento mesmo em que falamos, tira dos livros de História a expressão ‘ditadura’ e substitui por ‘movimento’ militar”.

Num primeiro momento, este movimento vai lutar contra a recente decisão do governo francês em aumentar em quase 1.500% a taxa de inscrição de cursos de pós-graduação em universidades da França para estudantes não europeus.

“Fomos contactados na Associação pela Pesquisa sobre o Brasil na Europa (Arbre) por diversos estudantes brasileiros que nos relatam que trabalham no Brasil sobre assuntos como a ditadura militar ou temas que são difíceis de serem tratados sob o atual governo e que gostariam muito de vir estudar na França. Já temos colegas brasileiros que foram obrigados a deixar o Brasil por causa de ameaças relacionadas a seu trabalho de pesquisa”, revela a historiadora.

A iniciativa deverá também criar em breve um canal YouTube para comentar notícias brasileiras, “um tipo de média acessível ao grande público” para “continuar a “mobilizar a opinião na França e outros países da Europa, e para manter nossa presença na imprensa francesa”, afirmou Dumont.

Já Erika Campello, presidente da associação Autres Brésils, disse que já está em contato com associações como Act Up, France Libertés ou Amnistia Internacional para tentar trazer para França brasileiros da comunidade LGBT e outras minorias menos protegidas, através de campos de estudo ou vistos de trabalho.

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