Um terço de inscritos deixou vaga em postos; Minas é que mais perdeu

0
114

Um terço dos brasileiros inscritos para substituir os cubanos no Mais Médicos abandonou vagas em seus postos de saúde de origem para atuar no programa federal, criando, assim, um déficit de 2.844 profissionais em outras localidades. A situação foi mapeada pelo Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) e apresentada na manhã desta quinta-feira, 29, em reunião em que participavam membros do Ministério da Saúde. Minas Gerais é o estado mais afetado. Em Muriaé, na Zona da Mata, por exemplo, dois postos ficarão sem médicos por aproximadamente 30 dias.

Segundo a prefeitura da cidade, profissionais que atendem Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) Joanópolis e São Pedro se inscreveram no Programa Mais Médicos. Com isso, vão assumir os cargos na próxima segunda-feira nas cidades que escolheram para atuar. “ Por isso a Administração não teve tempo hábil de providenciar a contratação de médicos antes do término do contrato dessas duas profissionais”, explicou a prefeitura.

“Ciente da importância do serviço médico prestado nessas duas unidades de saúde, a Administração já abriu um processo seletivo para suprir a demanda, a fim de que o atendimento seja restabelecido o mais breve possível. A Prefeitura frisa que essa medida tem caráter temporário – de aproximadamente um mês -, até que sejam finalizados os trâmites burocráticos para contratação de médicos para essas duas unidades”, afirmou a administração municipal. Neste período, os pacientes serão atendidos por enfermeiros das unidades.

A situação se repete em todo o país. Segundo os dados divulgados pelo Conasems, das 8,3 mil vagas preenchidas pelo recente edital lançado pelo Ministério da Saúde, 34% (2.844) foram ocupadas por médicos que já atuavam em equipes do programa Estratégia Saúde da Família (ESF), e que apenas migraram para outro posto de saúde para poder atuar no programa federal.

Na prática, os profissionais que atuavam como servidores das prefeituras no programa ESF farão exatamente o mesmo trabalho no Mais Médicos, mas sob um regime de contratação diferente.  No programa federal, eles têm uma remuneração de R$ 11,8 mil e auxílio mensal para pagamento de aluguel, alimentação e transporte. Nas prefeituras, o salário geralmente fica abaixo de R$ 10 mil.

Minas Gerais é o Estado que mais perdeu profissionais do programa ESF para o Mais Médicos. Foram 420 doutores que deixaram seus cargos nas Prefeituras para ocupar vagas em outras cidades mineiras ou em outros Estados.

Segundo o Conasems, o problema fica ainda mais grave se contabilizados todos os médicos que saíram de cargos do SUS (e não só do ESF) para ocupar postos do Mais Médicos. Para o presidente do Conasems, Mauro Junqueira, o novo edital só está “trocando o problema de lugar”. “Se o médico sai de um serviço do SUS para atender em outro, o município de origem fica desassistido, independente se esse médico se desloca da atenção básica ou da especializada, principalmente em relação ao Norte e Nordeste, onde todos os estados têm municípios com perfil de extrema pobreza e necessitam da dedicação desses profissionais que já estão trabalhando”, declarou ele, em nota publicada no site do Conasems.

O Ministério da Saúde afirma que o edital tem regras que obrigam os profissionais que decidem migrar a ocupar postos em cidades com o mesmo nível de pobreza e vulnerabilidade.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.